quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Nem tudo que cai na rede é peixe!

Fernando Schweitzer

O copo meio vazio para quem tem muita sede é o mesmo que o copo meio cheio para quem de água recém se fartou. O Partido Socialista Brasileiro (PSB) atualmente presidido pelo presidenciável Eduardo Campos, é um partido político de esquerda que segue a ideologia socialista democrática. Foi criado em 1947 a partir da Esquerda Democrática, até ser extinto por força do Ato Institucional nº 2, em 1965.

Quando imaginamos uma peneira para resgatar somente partidos de esquerda ou direita vemos que apenas peneirar é um ato superficial. Temos um mar de partidos políticos e hoje existem poucas figuras que personifiquem algo de ideológico, o que facilitaria aos leigos compreender, por exemplo, que não possuímos no Brasil mais esquerdas com poderio para chegar a presidência.



Neste ciclo, dito como democrático, tivemos vários presidentes de direita, um que se dizia de esquerda e acabou fazendo um governo de centro, e uma ex-guerrilheira de esquerda que faz um governo de centro-direita. Claro, aí que volto ao copo meio vazio-cheio. Para os filhotes da ditadura, o governo FHC foi um descalabro populista de esquerda, só para se dar ciência aos desavisados.

Quando em 1965, dado o Ato Institucional nº 2, de 27 de outubro, extinguiu todos os partidos, incluindo o PSB, que na quase totalidade ingressou no Movimento Democrático Brasileiro (MDB), ajudando a organizar seu trabalho de base. Aurélio Viana Guanabara tornou-se um dos principais líderes do MDB no Congresso. Este mesmo que anos antes chegou a ter simpatizantes a Jânio Quadros dentro do próprio partido.

Em abril de 1947, por ocasião da 2ª Convenção Nacional da Esquerda Democrática, no Rio de Janeiro, seus integrantes decidiram constituir-se como Partido Socialista Brasileiro, sob a liderança de João Mangabeira, Hermes Lima e Domingos Vellasco. O PSB foi registrado em 6 de agosto de 1947, contando em sua bancada com os dois deputados federais eleitos pela ED. Em 1985, com a redemocratização no Brasil, foi recriado. Entre 1947 e 1964, editou o jornal Folha Socialista.

Entendo que a política é mutável e evolutiva como princípio, mas de fato o trânsito entre siglas e ideologias hoje é menos ideológica que nos tempos idos. Hoje não temos mais estadistas como Juscelino ou Vargas, mas angústias do naipe de Lula e FHC.

O efeito Marina mudou o discurso de Eduardo Campos. O que é mais contraditório é que Marina Silva caracterizava solidamente desde o último pleito uma candidatura de centro, moderada e de discurso pragmático. Ao passo que Eduardinho de esquerda tem apenas o avô, Miguel Arraes, em seu currículo. Faz um governo de centro-direito em segundo mandato no Pernambuco.

Parece realmente raro que para negar-se conservador e fugir de possíveis atritos com a REDE, o PSB passa a girar num âmbito mais a centro esquerda para fugir dos aliados direitistas de Marina e também buscando diferenciar-se do outro neto, Aecinho, que de esquerda nem mesmo o avô tem.

Tancredo Neves, avô de Aécio, caracterizou a única opção não de direito no colégio eleitoral, e um candidato anti Malufismo e ditatorial. Mas ao que recebe o apoio de José Sarney, ex-Arena, passa a ser um candidato controverso, e ao passo de sua morte o Brasil termina por ter um presidente que teve laços com o partido que sustentou o discurso e a política de ultra-direita do governo militar.

Qual é o desnorteado rumo para o Brasil? Famigeradamente dito como o país do futuro, a mais de três décadas. Voltar a direita neoliberal tucana? Continuar na Direita disfarçada (no discurso) de esquerda petista? Ou mudar-se para a centro-direita-ecológica Edurina?

Um comentário:

Ricardo Bueno disse...

Soninha de centro esquerda